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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Compre um espelho

Deixo meu protesto a minha geração:

Compre um espelho,
Ganhe a verdade!
Compre um espelho,
Reconheça a realidade!

Pessoas gastando suas vidas para idolatrar a homens?
Será que estamos nos esquecendo que só temos a chance de viver uma vez?
Logo mais você morre e o que dirá de seus dias?

Morreu como um insignificante fofoqueiro,
Morreu como um imbecil que amava um cantor que nunca nem sequer soube da sua existência,
Morreu como um qualquer que amava a pessoa errada e deixou-se sufocar pela alma,
Morreu como um mentiroso que enganava até a si mesmo.

Chega!
Chega de mentiras, de idolatria, de negociação com o mundo!
Chega de máscaras!

Deus não precisa da sua falsidade, e muito menos dos restos da sua vida.
Ou Jesus é tudo pra você, ou Ele não é nada!
Deus não precisa da sua frouxidão, e muito menos da sua passividade,
Ou Jesus é o Senhor da sua vida, ou outro será!

Morra como digno,
Mude o seu mundo,
Reconheça Aquele que te conhece melhor que você mesmo.

Deixe suas expectativas no altar.
Deixe seus conceitos diante do trono.
Deixe Deus escolher por você, Ele é melhor que você nisso!
Pare de negociar, protestos dão maiores resultados quando feito ao nosso espelho!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Diário da missão - Angola

Diário de bordo
Angola



São Paulo, Julho de 2013.
O avião acabou de decolar! Eu não consigo acreditar que estou aqui. Deus me trouxe a memória diversas promessas que estão se cumprindo agora, promessas de anos atrás. Isso tudo está sendo incrível porque ao mesmo tempo que tem às novidades de voar pela primeira vez, tem as saudades que já começam a borbulhar, o som da voz do Espírito, a ansiedade para o que viverei em Angola, mas sabe, não estou com medo nem do avião, nem da saudade (que dói, mas não mata), e muito menos do que viverei lá, esta certeza de estar no centro da vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. São muitas novidades, amizades, experiências, mas em tudo eu não estou experimentando o medo, de nada, por sinal, nem da sensação de identificar, no mapa do computador anexo na poltrona a frente, que já estou voando acima do oceano, Aleluia!
Se tenho algo a dizer? Sim: confie no Senhor, porque Ele é fiel para cumprir às promessas que até nós mesmos já nos esquecemos.
De algum lugar entre São Paulo - Brasil, e Luanda - Angola. A 35 mil pés, 11 mil metros de altitude, a mais de 900 quilômetros por hora.

Já chegamos em Luanda, todas as malas passaram pela alfandega, mesmo com muitas pastas de dente, fio dental e escovas, mas infelizmente uma caixa de doações ficou pressa e tentaremos recuperar depois. O aeroporto, a cidade e as pessoas estavam extremamente empoeiradas, e pelo visto isto é comum. A diferença de cultura se percebe no primeiro passo por estas ruas, eu vi dois homens sentarem numa barraca parecida com as de cachorro quente aqui do Brasil, barracas montadas na rua, esses homens compraram um prato de comida e dividiram, coisa que no Brasil pareceria um casal, mas aqui é normal, vimos isso se repetir algumas vezes naquela barraca, e isso me fez ver o valor da comida para eles. Existem muitas mulheres trabalhamos no que chamamos de camelô de rua, elas vendem refrigerante, mais conhecido por aqui como 'gasolina', vendem roupas, sabonete, pasta de dentes, coisas deste tipo, e alguns homens também trabalham assim.
Estamos num micro ônibus com muito pouco espaço (foto) e viajaremos por, em média, 14 horas, e estamos bastante exaustos, mas o caminho, que já se banha na noite, nos mostra um cenário que vai alimentando a ansiedade de chegar na aldeia. Estou na companhia de pessoas muito bem humoradas, por enquanto (risos e fé). Todos dizemos que não acreditamos estar do outro lado do oceano. Às coisas por aqui são sujas, mas sabemos que na aldeia encontraremos uma realidade muito mais intensa.
De algum lugar entre Luanda e Bié, Angola. A mais de 6.500km de casa, do outro lado do oceano, num pequeno micro ônibus, numa longa viagem. Rumo à Aldeia Nissi.

Já chegamos na aldeia, aqui a realidade é extremamente diferente e minha alma busca entender no Espírito a forma de dar o meu melhor, de cumprir a minha missão aqui. Ao chegar, pela madrugada, jantamos e arrumados nossas coisas, estamos cansados, mas é difícil não querer ter contato com tantas novidades. Às crianças estão muito agitadas com os eletrônicos.
Assim que chegamos montamos as barracas e nos instalamos no clima frio da noite, madrugada e manhã, e no clima quente no restante do dia. Às crianças se apresentaram no começo da manhã, cantaram músicas em umbundu e em português. Cantaram: KAKULI WALISOKA LA YESU (NINGUÉM É IGUAL A JESUS). Eu chorei muito ao ouvir a adoração alegre de crianças sujas, sem projetos para o futuro, com pó no pé e um destino incerto. Chorei porque percebi a pobreza da minha alma 'gospel'. Fui tremendamente ministrado. Estava na agitação dos requisitos pré viagem nessas últimas semanas e realmente não tive tempo de ficar ansioso, ao chegar em Luanda me pareceu estar na versão suja, mas agitada, de São Paulo, com direito a jornal no lugar do papel higiênico no banheiro do aeroporto, mas com um KFC de três andares na avenida ao lado, com tudo muito caro; ao chegar em Bié, mais exatamente no Kuito, na aldeia, me pareceu ter chegado ao sítio do meu avó em Sete barras, SP, talvez por termos chegado durante a madrugada, mas ao amanhecer, ao ver as crianças, ao ouvir aquele canto de adoração com ritmo e alegria de celebração eu percebi que havia chegado na África, percebi que meu chão era Angola e que chegou o momento de dar do que tenho recebido do Senhor, o AMOR, amor que quebra cadeias, que rompe o silêncio, que destrói mentiras e institui o Reino.
Pude abraçar algumas crianças, conhecer a cidade, o comércio desorganizado e sujo, os lugares com chocolates importados e feijão super caro, sem falar no banho de caneca, que foi num momento bastante frio. Sobretudo, aqui é incrível, não vi um angolano chorar, não vi uma criança reclamar de nada, a igreja brasileira precisa conhecer esta realidade, esta cultura, no Brasil temos mais do que precisamos, temos muita qualidade nos produtos que compramos, temos muito apoio e amor; no Brasil temos muitos abraços e muitas lágrimas, aqui temos muitos sorrisos em meio a pouco apoio. Precisamos aprender mais.
Da Aldeia Nissi, Kuito, Bié, Angola, África. Na escola de Deus!

Não tive tempo de vir escrever aqui nos últimos dias, mas entre tantas novidades ontem fomos no culto aqui no Kuito, foi um culto tremendo demais, também tentei ajudar os dentistas, mas minha agonia com os procedimentos me fez ter que ir ajudar na cozinha e atender as crianças com um momento de conversa e oração particular. Aqui são muitas novidades, muita coisa diferente, um povo forte, um povo adorador, as vezes muito místico, as vezes tão inocentes, eu amei esta terra, moraria aqui se este fosse meu chamado, ou se um dia for, eu vou gostar.
Uma moça pegou febre tifóide, outras passaram mal, talvez pela alimentação ou água, mas no geral a equipe está muito unida, os dentistas estão atendendo e hoje eu fiz palestra para às crianças aprenderem a usar a escova e o fio dental (foto).
Montar um diário de bordo numa missão como esta é complicado, são muitas coisas para conseguir expressar, ao mesmo tempo que são intensas demais para viver. Minha dica é que se Deus te chamar, faça o que for preciso, mas atenda o chamado, porque para onde Deus te enviar, com certeza será uma imensa experiência e o Reino será instituído com poder!
Da Aldeia Nissi, em Angola!

Hoje se passou um dos momentos mais intensos para mim, um homem que trabalha cuidando do gerador aqui na escola se aproximou de mim com muito carrinho e cuidado, já se desculpando ele disse um 'oi' murchinho e perguntou se eu estava bem, depois de eu responder ele perguntou se eu tinha apenas uma bíblia ou se eu tinha mais alguma, olhei para bíblia na minha mão e disse que no último dia antes de ir embora eu a daria para ele, ele sorriu e agradeceu, eu sai e as lágrimas me tomaram, eu percebi que o valor que dava para bíblia era vergonhoso diante daquela cena. Quebrado eu coloquei meu coração nas mãos de Deus e não pude me conter, tive que me lançar neste chão seco, mas que literalmente é uma terra de sedentos.
De algum lugar onde Deus grita para mim, de Angola, Bié, Kuito, Kunge.

Entre muitos outros, um momento me marcou intensamente, enquanto eu ministrava para as crianças maiores de 10 anos eu contei que não era rico, como muitas delas pensavam, e que foi Deus quem proveu tudo para eu estar ali, mas depois de alguns dias uma destas crianças veio até mim e falou: 'você não é pobre, pobre não tem sapato, pobre não tem cama, não tem mala, não tem roupa limpa, cobertor, você não é pobre'. Me quebrou por inteiro e percebi minha riqueza no paralelo da minha pouca gratidão. O nada revela o contrastante valor do pouco.

Entre o pouco e o nada, aqui, em Angola, um espelho.